sexta-feira, 17 de outubro de 2014

[Acompanhando] Doctor Who: Mummy On The Orient Express

E Doctor Who continua, só que agora, em boa forma.

  Episódio:

Temporada: 8

 

Mummy On The Orient Express é mais um episódio simples, mas que segue uma fórmula bem conhecida de mistério. Uma múmia aterrorizante surge do nada para qualquer pessoa. Somente aquela pessoa consegue vê-la, como uma alucinação. Em 66 segundos, a vitima acaba sendo morta pela estranha aparição, e claro, tudo isto acontece num trem chamado Expresso Oriente. 

Agatha Christie mais uma vez na série, só que dessa vez apenas como referência. 

 

A desenvoltura da trama é interessante por estar num campo mais acomodado para Doctor Who: o mistério. A ideia da saideira e claro, lado maldoso do Doutor, que não mede esforços em arrumar confusões, é muito interessante. Em Matt Smith ou Tennant, viamos uma preocupação constante com a humanidade, tentando a todo momento renegarem seus instintos, visto o que poderiam causar às pessoas ao redor. Porém, essa era uma atitude falha. Era óbvio o sorriso e excitação dos Doutores diante do perigo. Já Capaldi, não esconde isso. Ele não tem medo de parecer insensivel, e admite seu eu mais sombrio. Ele gosta do perigo e de colocar as pessoas nessa situação para poder salvá-las. Enfim, o Doutor gosta de ser um Doutor, mesmo que não seja necessário.

 

Clara cada vez mais desaparece nos episódios, e na minha opinião, isso resulta numa qualidade maior. Se fosse em tempos antigos, ninguém morreria ou Matt Smith tentaria em sua magnificência salvar a todos. Já aqui, Capaldi é sincero. Ele sabe que não pode salvar ninguém em certas circunstâncias, e como o próprio diz, é necessário fazer escolhas mesmo que não gostemos das opções. Clara parece aos poucos compreender esse enigmático Doutor e ao invés de agir como uma criança birrenta, começa a finalmente sentir um verdadeiro respeito por ele. Capaldi é bom? Capaldi mal? - Ela não sabe, mas entende como agiu e por que agiu. Basicamente, ele é sábio, porém nem todos entendem essa sabedoria - fato este que podemos ver em Danny, sendo um dos poucos a compreender melhor o Timerlord. 

 

Os efeitos estão bonitos  e tudo casa muito bem. Os quase 50 minutos passam como se fossem 15, todo o enredo é bem aproveitado dentro do que necessita fazer. Só achei que faltou um pouco mais de força, adrenalina ou algo do tipo. Ao todo é um episódio "ok", que tem um gostinho ótimo, mas que nos deixa com água na boca pensando: "poxa, poderia ter mais" ou melhor, "ser mais".

Doctor Who agora trabalha na comodidade, tentando não se arriscar tanto. Isso combinou bem com Capaldi, mas acredito que todos sintam falta de um enredo mais conexo, não simplesmente por pontas soltas no final, mas pela história em si. A série está no caminho certo, seguindo uma postura tradicional, mas pode ser maior: basta casar tudo isso com a modernidade - coisa que muitas vezes tem falhado.

Não me animo muito com a "volta" certeira de Clara como companion (ela foi embora?), mas vejamos. Sua postura tem sido melhor, aguardo um desenvolvimento da personagem - claro, sem ser na sombra do Doutor ou no emblema de "Garota Impossivel". Eu diria que a tentativa de Moffat de criar uma companion que marcasse para sempre o seriado está sendo bem mediocre, mas fazer o que, essa é a opção que temos pra hoje.

 

El Psy Congroo.

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