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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Acompanhando] Doctor Who: The Caretaker


Em The Caretaker, um Skovox Blitzer aparece na Terra pronto para acabar com a humanidade. Resta, claro, ao Doutor parar esse misterioso alienígena.

Episódio: 6
Temporada: 8
Depois de muitas enrolações e episódios whatevers, chegou algum que vale a pena. Não sabia quando seria, mas estava esperando. É como se todas as minhas criticas tivessem sido ouvidas.
Aqui tudo flui muito bem. O Doutor e Clara tem seu devido espaço: ele, o rabugento velhinho com seus dois mil anos de idade e ela, a jovem mulher confusa, com anseios e desejos, sem mais aquela máscara tosca de "garota impossível".
Danny Pink também não fica atrás, ganhando cada vez mais espaço. Ele soa peculiar por justamente ir contra o Doutor, sendo inteligente e sagaz. Sabe reconhecer as pessoas, ver suas facetas mais profundas, mesmo que estas se escondam em um corpo novo.

A verdade é que apesar de Doctor Who ser uma ficção cientifica bastante inteligente, sempre foi simples. Iniciou-se como um programa para crianças e sua essência está ali - na simplicidade do enredo. Sem ideias ou finais mirabolantes, Caretaker preocupa-se em desenvolver seus personagens sem a necessidade de colocá-los como heróis ou tiranos. Tudo é muito simples e direto, porém de uma enorme inteligência. O episódio inteiro se passa em uma escola, sem muita ação, decorrendo tão bem que nem notamos o tempo passar. Os diálogos são ácidos e harmoniosos. Aqui fazem-se questões óbvias quanto ao Doutor, que até agora não haviam surgido. 
Skovox é um mero vilãozinho, pois mesmo que seja uma ameaça, já vimos bem piores. Mas ele não está ali para isto. Visualizamos finalmente Doctor Who como ele é: não um espetáculo enfadonho e forçado de sacadas sem sentido. Apesar de lidar com alienígenas, todos são humanos. 

Capaldi está em sua melhor forma. Aqui parece poder correr, gritar e resmungar à vontade. Senti como se ele fosse um Tennant velhaco, com todas as suas frases sem sentido e exageros mirabolantes. 
Danny Pink é um grande personagem, com certeza maior que Clara. A garota se transveste numa armadura de perfeição, mas é puramente mimada - já Pink, realmente é experiente. Suas atitudes são de um homem sábio que conhece bem a guerra.

Os efeitos estão muito legais por não serem fortes. Parece que o orçamento está baixo, mas dentro disso conseguiram fazer algo mais que decente. Assim como Daleks são liquidificadores gigantes com desentupidores como armas, Skovox não foge à regra. Mesmo que não amedronte ele tem um bom proposito, que acaba fazendo com que nossas personagens se unam e conheçam-se um pouco mais. Clara finalmente entende seu posto: o de companion. Isso aqui não é Clara Who; não estamos interessados em saber como o Doutor será salvo. Ela consegue seu desenvolvimento, ironicamente não sendo centrado em si mesma.



The Caretaker é o episódio mais nostálgico e ao mesmo tempo original da temporada. Suas referências são divertidas e seu desenvolvimento mais ainda. Todos se conhecem um pouco mais e claro, em volta do timelord mais ranzinza do universo. 
Matt Smith era bobão e simpático, já Capaldi parece seguir totalmente o rumo contrário. Se não sabiam muito bem o que fazer com ele, este episódio parece mostrar a direção.
Quanto ao final, bem... Espero que haja uma explicação muito boa. Do contrário, será mais um plot twist esburacado ao melhor estilo moffatiano.

Sozinho, o Doutor supervisiona e arquiteta um jeito de salvar o precioso mundo que adotou. Mas como sempre, nada sai como esperado e seus amigos estão ali para ajudar. Ao fim, os seres humanos se cansam das maravilhas e seguem para tantas outras que estão firmadas ali mesmo, na terra. O céu não parece mais tão misterioso e as circunstâncias da vida vão direcionando o futuro de cada um para iminentes conclusões. Só o Doutor não consegue o próprio fim. Ele continuará ali, observando e consertando; até o dia que o mundo se apague e ao tentar consertar, perceba que não têm como: este já está quebrado. O zelador irá até o fim, cuidando não só da escola, mas de suas pequenas crianças. E quando tudo terminar, ele estará lá para desligar o interruptor e partir em busca de uma nova aventura. 

El Psy Congroo.

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