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Destaques

Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

[Acompanhando] Doctor Who: Listen


Episódio: 4
Temporada: 8



Listen é outro episódio que tem uma premissa muito interessante. Nele, o Doutor sem mais nem menos encuca-se com algo que está dentre o imaginário da humanidade desde os primórdios de sua existência: o silêncio. Sabe aquele momento quando estamos falando sozinhos e começamos a falar alto, ou sentimos uma presença, como se tivesse alguém ali? Ou aquele pesadelo de que existe algo escondido debaixo da cama, pronto para agarrar nossos pés? - Então, é sobre isso que se trata.

Dessa vez, Clara tem finalmente alguma vida social. Vemos a introdução de Danny Pink, que devo ressaltar, está muito bem. Samuel Anderson é destaque por sua excelente atuação, seja como Danny ou o bisneto viajante do tempo. É interessante notar também o desenvolvimento do episódio em si. As personagens tem diálogos interessantes, divertidos e até profundos. Mas, infelizmente, Capaldi aqui é mero coadjuvante. Como já dito por Moffat, ele não é personagem principal na oitava temporada (puta desperdício) e sim Clara Oswald, que é uma boneca sem emoções feita para determinados objetivos.

Se deixarmos de lado o começo sem sentido, já que não importa o que acontece antes ou depois, o episódio chega a ser bom. Coerência é um mero detalhe, não é requisito, então sigamos assim mesmo. O desenvolvimento do conflito das personagens é bem feito. Todos nós estamos sujeitos ao medo, seja do silêncio ou escuro; seja o nosso passado divertido ou tenebroso.
Danny Pink é um soldado claramente ferido pela guerra, mas não fisicamente. Os horrores presenciados pelo homem o perseguem a todo tempo. E Clara, em todo seu egocentrismo, se torna uma mera garota mimada diante de alguém realmente forte.
Mas e o Doutor? O Doutor é uma criança, apesar da sua aparência. Acho ridículo tratar o medo de um homem de 2000 mil anos tão ingenuamente, como se depois de tanto tempo e tantas guerras, o senhor do tempo não fosse capaz de identificar o que se passa. Sem contar as incoerências.
Moffat adiciona coisas sem o menor sentido. Aquele teletransporte da Tardis, por exemplo, só pode ter surgido recentemente em mais uma de suas reconstruções, pois do contrário é ridiculo. Sua existência poderia ter salvado o Doutor tantas vezes, em tantas ocasiões. Eu, telespectador, taparei esse buraco dizendo que isto  surgiu agora, nessa reformulação atual de design.
Vocês vêem? O roteiro sempre gira em torno disto - buracos. Nunca nada é decisivo ou certo. O telespectador tem sempre que inventar meios de rebocar a história, pois ela fica sem o menor sentido. Me desculpe se não sou inteligente o suficiente para entender  as ligações. Não compreendo como diversas coisas podem surgir e de repente se tornarem fruto da imaginação, sem qualquer necessidade. Como um cara teoricamente tão inteligente, pode ter atitudes tão infantis de alguém acéfalo, que simplesmente não raciocina.
A ideia de retomar à Gallifrey e ligar mais uma vez com o Doutor da Guerra é genial, mas só a ideia mesmo. Jogar o peso disso nas costas de uma personagem sem carisma e claramente forçada, é tirar mérito de tudo que o Doutor é e sempre foi. Vamos ser sinceros: Doctor Who está sendo feito nas coxas. Não vejo mais aquela preocupação com diálogos, surpresas e enredo. Coincidências sempre foram ridicularizadas e usadas como plot twist para a verdadeira história, que mesmo que fosse sem pé nem cabeça, preocupava-se em ter um propósito.

O visual consegue dar um toque especial, como algo cinematográfico.
A cena do restaurante é uma das melhores, por lidar finalmente com Clara tão bem. Ela é só uma humana qualquer comendo e conversando, com um cara que viveu mais do que a moça viajante do tempo. Alguém, que talvez, saiba um pouco mais sobre a natureza humana.

CONCLUSÃO

Não entendo os buracos de roteiro , nem suas ligações com o que venha pela frente. Simplesmente detesto o modo como o Doutor está sendo tratado. Capaldi é um senhorzinho infantil qualquer - um ótimo personagem, para um ótimo ator - que está sendo jogado de lado, para dar lugar à uma companion sem metade do carisma das anteriores, mas que carrega um peso gigante nas costas, e que por incrível que pareça, com uma magiquinha Moffatiana, consegue resolver tudo.
Listen poderia ser um grande episódio, marcante para todos. Seu desenvolvimento é excelente, mas outra vez jogado no lixo diante de algo clichê, que busca ser profundo sem a necessidade de ser.
Tudo tem sempre que ser tão friamente ligado, que nem coerência tem. Danny Pink e Clara, apesar dos interessantes diálogos, não desenvolvem uma química. A necessidade de tentar impactar o telespectador soa mediócre. Não achei a cena final tocante: até aqui, já tem tanta coisa forçada que me virei numa morte triste de overdose sentimental. Clara é tão perfeita e carente de personalidade que ao fim, mesmo quando consegue finalmente grande destaque (sempre ao falar com as crianças), torna tudo mais irritante. A última cena pode ser por alguns segundos incrível, mas logo lembramos de todo o resto que dá base para isto e nos perguntamos: "será que perdi algo?"

El Psy Congroo.

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