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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Acompanhando] Doctor Who: Listen


Episódio: 4
Temporada: 8



Listen é outro episódio que tem uma premissa muito interessante. Nele, o Doutor sem mais nem menos encuca-se com algo que está dentre o imaginário da humanidade desde os primórdios de sua existência: o silêncio. Sabe aquele momento quando estamos falando sozinhos e começamos a falar alto, ou sentimos uma presença, como se tivesse alguém ali? Ou aquele pesadelo de que existe algo escondido debaixo da cama, pronto para agarrar nossos pés? - Então, é sobre isso que se trata.

Dessa vez, Clara tem finalmente alguma vida social. Vemos a introdução de Danny Pink, que devo ressaltar, está muito bem. Samuel Anderson é destaque por sua excelente atuação, seja como Danny ou o bisneto viajante do tempo. É interessante notar também o desenvolvimento do episódio em si. As personagens tem diálogos interessantes, divertidos e até profundos. Mas, infelizmente, Capaldi aqui é mero coadjuvante. Como já dito por Moffat, ele não é personagem principal na oitava temporada (puta desperdício) e sim Clara Oswald, que é uma boneca sem emoções feita para determinados objetivos.

Se deixarmos de lado o começo sem sentido, já que não importa o que acontece antes ou depois, o episódio chega a ser bom. Coerência é um mero detalhe, não é requisito, então sigamos assim mesmo. O desenvolvimento do conflito das personagens é bem feito. Todos nós estamos sujeitos ao medo, seja do silêncio ou escuro; seja o nosso passado divertido ou tenebroso.
Danny Pink é um soldado claramente ferido pela guerra, mas não fisicamente. Os horrores presenciados pelo homem o perseguem a todo tempo. E Clara, em todo seu egocentrismo, se torna uma mera garota mimada diante de alguém realmente forte.
Mas e o Doutor? O Doutor é uma criança, apesar da sua aparência. Acho ridículo tratar o medo de um homem de 2000 mil anos tão ingenuamente, como se depois de tanto tempo e tantas guerras, o senhor do tempo não fosse capaz de identificar o que se passa. Sem contar as incoerências.
Moffat adiciona coisas sem o menor sentido. Aquele teletransporte da Tardis, por exemplo, só pode ter surgido recentemente em mais uma de suas reconstruções, pois do contrário é ridiculo. Sua existência poderia ter salvado o Doutor tantas vezes, em tantas ocasiões. Eu, telespectador, taparei esse buraco dizendo que isto  surgiu agora, nessa reformulação atual de design.
Vocês vêem? O roteiro sempre gira em torno disto - buracos. Nunca nada é decisivo ou certo. O telespectador tem sempre que inventar meios de rebocar a história, pois ela fica sem o menor sentido. Me desculpe se não sou inteligente o suficiente para entender  as ligações. Não compreendo como diversas coisas podem surgir e de repente se tornarem fruto da imaginação, sem qualquer necessidade. Como um cara teoricamente tão inteligente, pode ter atitudes tão infantis de alguém acéfalo, que simplesmente não raciocina.
A ideia de retomar à Gallifrey e ligar mais uma vez com o Doutor da Guerra é genial, mas só a ideia mesmo. Jogar o peso disso nas costas de uma personagem sem carisma e claramente forçada, é tirar mérito de tudo que o Doutor é e sempre foi. Vamos ser sinceros: Doctor Who está sendo feito nas coxas. Não vejo mais aquela preocupação com diálogos, surpresas e enredo. Coincidências sempre foram ridicularizadas e usadas como plot twist para a verdadeira história, que mesmo que fosse sem pé nem cabeça, preocupava-se em ter um propósito.

O visual consegue dar um toque especial, como algo cinematográfico.
A cena do restaurante é uma das melhores, por lidar finalmente com Clara tão bem. Ela é só uma humana qualquer comendo e conversando, com um cara que viveu mais do que a moça viajante do tempo. Alguém, que talvez, saiba um pouco mais sobre a natureza humana.

CONCLUSÃO

Não entendo os buracos de roteiro , nem suas ligações com o que venha pela frente. Simplesmente detesto o modo como o Doutor está sendo tratado. Capaldi é um senhorzinho infantil qualquer - um ótimo personagem, para um ótimo ator - que está sendo jogado de lado, para dar lugar à uma companion sem metade do carisma das anteriores, mas que carrega um peso gigante nas costas, e que por incrível que pareça, com uma magiquinha Moffatiana, consegue resolver tudo.
Listen poderia ser um grande episódio, marcante para todos. Seu desenvolvimento é excelente, mas outra vez jogado no lixo diante de algo clichê, que busca ser profundo sem a necessidade de ser.
Tudo tem sempre que ser tão friamente ligado, que nem coerência tem. Danny Pink e Clara, apesar dos interessantes diálogos, não desenvolvem uma química. A necessidade de tentar impactar o telespectador soa mediócre. Não achei a cena final tocante: até aqui, já tem tanta coisa forçada que me virei numa morte triste de overdose sentimental. Clara é tão perfeita e carente de personalidade que ao fim, mesmo quando consegue finalmente grande destaque (sempre ao falar com as crianças), torna tudo mais irritante. A última cena pode ser por alguns segundos incrível, mas logo lembramos de todo o resto que dá base para isto e nos perguntamos: "será que perdi algo?"

El Psy Congroo.

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