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Destaques

Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

[Analisando Animes] Shiki e a representação do ser humano

O animes inicia-se assim: simples. Uma garota anda pela pacata vila de Sotoba, aparentemente feliz com a vida, mas na verdade apenas egocêntrica em seu jeito de ser. Ela odeio tudo e à todos. Odeia os trabalhadores, que não se cansam da rotina; as velhas fofoqueiras, que passam o dia apontando os dedos, cochichando e lamuriando as mudanças do tempo; e até mesmo sua família.
Coisas de gente do interior, onde tudo é uma novidade - até uma roupa diferente.
Não é de se admirar o estardalhaço que a mudança dos Kanemasa causa em toda a gentalha. Sotoba  é um mundo próprio. Fechado, continuo e tradicional. Percebeu a ironia? Não? Então logo entenderá...

Shiki é um anime de 2010, baseado na light novel de mesmo nome, escrita no ano de 1998, por Fuyumi Ono. A história se passa, como já dito, na vila de Sotoba, onde diversas mortes começam a ocorrer, associadas à mudança de novos moradoress: os Kanemasa. A pacata cidade, logo se torna o lar de nada menos que vampiros. O que fazer para sobreviver?

E é justamente disto que o anime se trata. Em Shiki, todas as personagens em questão estão em constante mudança, se adaptando e sobrevivendo ao movimento, enquanto seres humanos. Aos poucos, a pacata vila, se torna o matadouro de sanguinolentos vampiros - ou seria o contrário? A história em si se trata sobre o existencialismo. Pois veja bem, não importam as condições: o cérebro sendo o mesmo, o ser continua intacto.


Roteiro


Shiki pode ter muitas qualidades, mas a que mais chama atenção é o roteiro. Atrelado à um enredo intrigante e diálogos ferrenhos, o anime constrói uma história épica, não só de ficção ou fantasia, mas um envolvente mistério filosófico cheio de questionamentos e simbolismos. Tudo tem sentido. Desde a garota espalhafatosa, aos dois amigos, que nem eram tão próximos, mas que se vêem juntos diante do desespero.
Não existem vampiros; existem apenas seres humanos. Estão lá, todas as vertentes para o nosso nascimento: religião, liberalismo, filosofia, ciência e etc. Tudo é muito bem detalhado, como se houvesse uma preocupação com cada linha, ponto e vírgula. Todas as situações tem escolhas e essas escolhas desencadeiam consequências e mais situações, que por sua vez resultam em mais escolhas. E mesmo sendo realista, o anime não se prende à conceitos do nosso mundo - é uma ficção e não tem medo de entreter; parecer legal ou engraçado.
Shiki não é aquele cara super intelectualizado, que chega na festa tomando champagne e falando frases de filósofos clichês, para até quem não quer ouvir. Muito pelo contrário.
Ele é aquele tiozão bêbado, que fica dando piruetas e dizendo besteiras, até que de repente adentra num assunto mais pantanoso, e o cara demonstra ali, toda a sua vivência e sobrevivência. Ele não é inteligente por que precisa ser, ele simplesmente é e pronto.

Visual

Quer um anime estiloso? Tá aí, Shiki. A produção é um show à parte na criatividade visual, pois é possível ver a mudança de comportamento das pessoas apenas no que vestem. E é interessante a harmonia na animação. Podemos perceber um traço que remete à animes antigos, mas ao mesmo tempo, é tão atual quanto um Shingeki no Kyojin da vida.
As cores saltam aos olhos, sendo tudo muito coerente com o que acontece. Sem o roteiro isto não seria nada, mas o roteiro sem o visual, também seria bem pobre. Não existe um sem o outro. É um casal harmonioso, que não tem medo de seguir em frente.


Personagens

Apesar das personagens secundárias serem um tanto quanto estereótipadas, servindo apenas para cumprirem determinados papeis, as principais são tantas que nada disso tem relevância. Cada qual tem suas considerações, vivências, dificuldades e modo de adaptação ao que vivem - mesmo que passem pela mesma coisa. É como dito lá em cima - cada qual é uma vertente, que evidencia quem somos. Egoísmo, luxúria, gula, avareza; enfim, os sete pecados capitais. Liberalismo, existencialismo, empirismo, antropocentrismo; enfim, filosofias. Etc, etc, etc...
Mesmo com tanta coisa, todas são iguais por simplesmente mudarem.A maioria das histórias tem tudo pré-definido, muito bem elaborado e arquitetado. O trunfo de Shiki é justamente o contrário disso: ninguém é sagrado. Todos estão sujeitos à apanharem, caírem, morderem,serem mordidos, morrerem ou se safarem.
Mas é possível também ver em todos um excesso, que tem consequências.Um corre corre dos prazeres avassaladores da liberdade descomunal, rumando para a autodestruição.


Conclusão  

Enquanto moradores civilizados, as pessoas viviam regradamente suas vidas, sem nem se importarem com quem são ou como deveriam continuar. Seu foco estava apenas na sobrevivência. Suas vidas não tinham sentido, sendo assim, eram apenas sanguessugas sem propósito na existência vazia. Quando então os Kanemasa dão de presente dentes afiados em seus pescoços, tudo muda. Não há mais regras ou sentido em continuar sugando aquilo que lhes mantinha. Os vampiros por fim, são apenas seres humanos; vivendo livremente sem medo do amanhã.
Os verdadeiros vampiros são os aldeões, cansados de suas inutéis vidas, onde basta um estopim para correrem livres e desordenadamente pela floresta. Pena que onde há fumaça, há fogo.
Megumi representa a todos: insatisfeitos consigo e onde estão. Mas a diferença é que a garota se sente livre - e não à toa, é a primeira a ser transformada.
Aos poucos, percebemos que na verdade não é o fato de se tornarem vampiros que muda as pessoas e, sim a própria mudança em si. Aquele defeito no cérebro de botar sentido em tudo.
Num primeiro momento vampiros caçam, como leões caçavam humanos. Até que os pequenos animais tomam o conhecimento para si e então invertem a situação. O caçador virou caça; o feitiço voltou-se contra o feiticeiro; os vampiros, criaram por fim seu próprio monstro, que irá devorá-los. Em suas fantasias, esqueceram quem foram e subestimaram-se.

No sangue jorrado, não existe ganhadores nem perdedores. Apenas seres humanos, enjaulados em pequenas celas apertadas, onde basta alguém abrir a porta, para o monstro saltar em busca de um alvo, mesmo sem necessidade. Nunca existiu vampiros. Ao fim, todos são iguais. Diante da morte, não há doenças, filosofias, beleza ou distinção. Só o fim.
Está aí, a grande ironia.


El Psy Congroo.

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