Pular para o conteúdo principal

Destaques

Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

Sherlock Holmes e a deturpação do próprio personagem

Atenção: este post tem spoilers. Se você não assistiu a terceira temporada de Sherlock, provavelmente não vai entendê-lo, ou se está assistindo, pode não gostar de saber de determinadas informações. Pois bem, estão avisados. 





Depois de um final emocionante, Sherlock volta para o terceiro ano (depois de fucking 2 anos!) para dar as devidas explicações (ou enrolações) aos fãs. Para quem não se lembra, nosso querido "herói" se matou ao final da segunda temporada. Porém, logo Sherlock mostra que tudo não passou de uma farsa. Mas como?
Os roteiristas sabem brincar com o próprio público e sabem que por mais que expliquem, tudo não vai passar de um enorme falatório surreal. Portanto, não há necessidade de explicar como Sherlock sobreviveu, mas sim a necessidade de dizer: "há como ele sobreviver".

Nessa temporada vemos Holmes voltar ao seu lugar de sempre com maestria e muito humor. Um fato perceptível é o quanto os enredos cresceram, dando mais espaço para a ação. Muitas vezes, ficamos dezenas de minutos sem o detetive fazer uma dedução se quer (o que acontecia com frequência na primeira temporada). Enquanto, outrora, os criadores se prendiam às histórias de Sir Arthur Conan Doyle, se focando em criarem apenas a versão moderna daquilo; nesta terceira temporada isso não acontece. As liberdades criativas estão bem maiores, servindo a obra de Doyle mais como referencia e homenagem mesmo. Isso pode irritar alguns fãs, que encontrarão Sherlock com uma personalidade um tanto quanto deturpada.

Depois de reintroduzir o telespectador no primeiro episódio (que não é lá muito inteligente, se focando mais na situação das personagens), o segundo merece destaque especial. Este é um prato cheio para os fãs, com uma história envolvente, porém simples. Aos moldes das aventuras do detetive nos livros.


Mostrando assim que Sherlock é uma série que funciona melhor em sua simplicidade, sem exageros ou ação exarcebada. O crescimento das personagens não necessita de mudanças drásticas, o que esperamos são aventuras policiais inteligentes, que possam nos surpreender



Mas, a fim de querer ser grande demais ou revitalizar-se para não cair na mesmice, é criado um terceiro episódio questionável. Louvável em certas decisões, como a adaptação do personagem Charles Magnussen ou a explicação para tiros indesejados (vulgo, Sherlock baleado); e deprimente em outras, como a deturpação do próprio protagonista. Em diversos momentos, em nada este se assemelha ao detetive simples, direto, cavalheiro e super inteligente da primeira temporada. Se mostra uma clone de si mesmo; uma sombra do que foi.

John Watson é quem deve ser enfatizado. Tanto o ator quanto a personagem estão demais. Watson serve genialmente como escada; e isso não é demérito nenhum. Desde os livros, ele foi criado para ser os olhos comuns diante do ser humano "glorioso" que é Holmes. But, aqui conseguiram lhe dar importância sem deturpar sua função (o que seria ridiculo).

Quem empenha um papel deprimente é Mycroft Holmes, antes um irmão genioso e preocupado, agora um cachorrinho bobo de Sherlock. 

As novas personagens são estranhas, mas estranhas de um modo bom. O que continua indo como sempre, ou seja, elas servem de paisagem e molde para a brilhante (já não tão brilhante assim) história. 

A terceira temporada de Sherlock se perde em meio ao crescimento e demonstra uma crise de identidade, mas consegue dar uma revitalizada no seriado - mesmo que não necessitasse. A ausência de Moriarty é sentida, esquecida e logo revigorada. 
Holmes, desta vez, não é tão incrivel assim, se tornando um tanto quanto humano. Para ser sincero, as outras personagens crescem e demonstram-se muito melhores que o próprio. 
A ação está bem equilibrada, apesar de desnecessária. 
Outro destaque é a direção, cada vez melhor, digna de um longa metragem. E claro, a própria ambientação, que mostra o sucesso da série ($$$) tendo efeito na qualidade.

Sherlock ainda sabe brincar com o telespectador, mas sofre uma drástica crise diante do grande público. Esperamos que consiga se encontrar e ao fim da temporada, fica mais um desafio. Como se os próprio roteiristas estivessem competindo - creio que isso dará bons frutos. 




El Psy Congroo.

Comentários

Postagens mais visitadas